Aprendizado na prática

Passeios educativos podem promover o aprendizado na prática

Texto Redação / Adaptação Web Rachel de Brito

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O ensino em Artes (ou em qualquer outra disciplina ou área do conhecimento) não se esgota em sala de aula, nem se limita aos muros da escola – isso já se sabe. O potencial de instituições culturais em expandir o aprendizado, no entanto, é subaproveitado. Elas pouco adentram a agenda estudantil, seja por falta de espaço frente à massa de conteúdo que precisa ser despejada em classe, em um calendário letivo curto e insatisfatório para as atividades planejadas, seja por falta de verba das escolas e, muitas vezes, das alunas e alunos para arcar com as custas de uma atividade extra nos colégios públicos.

Visitas a museus de Artes, por exemplo, ainda deixam de ser prioridade diante de outros passeios motivados por disciplinas consideradas “mais relevantes” na grade curricular. Também há o caso de, quando ocorrem, tornarem-se supérfluas, ao serem utilizadas apenas para orientar alguns parcos registros no contexto de aulas práticas ou expositivas em Artes.

O fato é que há muito a ser explorado nessas visitas e a importância destas deve ser considerada no planejamento escolar. E quanto mais cedo a programação for inserida no cotidiano das crianças melhor.

As escolas devem apenas ter o cuidado de verificar se o conteúdo exposto nessas instituições se adapta aos projetos pedagógicos da instituição e faixa etária das crianças, recomenda Giani Naomi Kusunoki Nagata, docente do Colégio Lumbini, em Suzano (SP).

Com a polêmica inserida na censura por idade de certas exposições a rodar o Brasil, vale a pena os docentes se certificarem de que não terão problemas entre os pequenos ou junto aos pais. Para a educadora, tal polêmica é, além dos fatores já enumerados, outro motivo da distância entre escolas e museus de Arte. Para além da percepção de Giani, o mais recente levantamento consolidado do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) ainda revela que, fora dos grandes centros, essa distância é ainda maior: apenas 79% dos municípios brasileiros possuem museus, deixando de fora da experiência de visitação milhões de crianças, jovens e adultos.

Tudo é aprendizado

Hoje aluna do Colégio Rio Branco, unidade Granja Viana, em Cotia (SP), Clara Marques, 7 anos, fez a sua primeira visita ao Museu de Arte Contemporânea (MAC) de São Paulo ainda na educação infantil. A visita promoveu em Clara uma maior compreensão dos conceitos de abstração e tridimensionalidade das obras de arte. Ela também passou a compreender que toda obra é delineada, no tempo e no espaço, pelo contexto cultural, social e histórico de sua criação, mostrando
interesse pelos artistas autores das obras vistas e pela época em que viviam ou desenvolveram o seu trabalho. “Esculturas são legais”, afirma a pequena, com certa predileção por essa modalidade artística.

No segundo ano do fundamental, Clara frequenta aulas extra-curriculares de Artes oferecidas pela escola. Já Pedro da Silva, com 11 anos, lembra-se de passeios culturais realizados quando tinha apenas 7 e frequentava o Colégio Vital Brazil, na zona Oeste de São Paulo. “Gosto de aprender de um jeito diferente, sem que precise ter um professor ensinando coisas”, destaca o pré-adolescente. E – pasmem as leitoras e leitores de Arte-Educa – ele não se refere ao aprendizado autônomo que muitos de sua idade buscam em fontes virtuais. Pedro prefere o espaço aberto, as descobertas que acontecem na prática.

Museus são considerados bons recursos para cativar estudantes com esse perfil, seja em Artes seja em qualquer outra disciplina. Desde planejar o passeio até contar o que se viu, tudo é aprendizado.

“Essa prática (visita aos museus de Arte) não deve se resumir a um ato que tem como objetivo ‘ilustrar’ algum estudo realizado em aula e traz consigo um conceito mais amplo, que abarca os diferentes conteúdos da área, como estar em um espaço expositivo, conhecer suas regras, conversar sobre as sensações que um trabalho provoca em nós, estar em silêncio consigo e com seus pensamentos.”, explica Karen Greif Amar, coordenadora de Artes da Escola da Vila, também de São Paulo. E isso é, inclusive, o que a educadora escreve sobre o tema no blog da instituição.

A dinâmica de visita a museus na Escola da Vila se consolida a partir do Ensino Fundamental 1. “Considerando esses espaços com grande potencial educativo relacionado a aspectos culturais presentes em nossa sociedade, os estudantes vivenciam de perto a forte experiência que é estar frente a uma obra de arte original e poder explicitar suas reflexões acerca deste momento”, descreve Karen sobre a importância da experiência. “Visitar exposições, museus, lugares históricos, galerias de arte ou lugares da cidade fomenta descobertas sobre o homem e sua relação com diferentes povos, culturas e valores. Além disso, alimenta a sensibilização em relação à produção em arte, possibilitando ao aluno levar aspectos discutidos nas reflexões e nos diálogos estabelecidos durante
a visita para sua produção nas aulas em oficina” diz a educadora.