A importância da brinquedoteca na aprendizagem

Brincar é a melhor forma de aprender diversas matérias, desenvolver inúmeras aptidões e até controlar alguns distúrbios.

Por Lou de Olivier / Adaptação Web Rachel de Brito

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Parece brincadeira, mas a afirmação que farei a seguir é séria: brincar é a melhor forma de aprender diversas matérias, desenvolver inúmeras aptidões e até controlar alguns distúrbios. E a afirmação aprofunda-se para salientar que uma criança que não brinca pode até desenvolver algum distúrbio e o próprio fato de não brincar pode acusar um distúrbio. Complexo? Talvez, porém muito verdadeiro.

É a base de uma ferramenta de atuação que desenvolvi há quase 20 anos, mas continua muito atual e sempre trouxe excelentes resultados tanto em clínicas quanto em escolas. E pode-se ir além da infância.

Na verdade, o ato de brincar pode e deve acompanhar o indivíduo por toda a sua vida. Obviamente, deve-se adaptar as brincadeiras para cada faixa etária. Mas, seja qual for a idade, o ato de brincar estimula muitos canais de aprendizagem e desenvolvimento. É um poderoso auxiliar no controle de diversos distúrbios.

O que é brinquedoteca? A brinquedoteca pode ser definida como um espaço lúdico, onde as crianças podem brincar de forma livre e também direcionada, e isso estimula a criatividade e desenvolve habilidades cognitivas, estendendo-se também às motoras.

Embora se apresente como um espaço para um ambiente de brincadeira livre e sem pressões, é possível aliar esse ambiente a outros recursos, que passarão a estimular os pequenos de forma a aprender brincando. É essa a “mágica” da brinquedoteca, em que as crianças são levadas a brincar de diversas formas e, como resultado, passam a apresentar melhora na aprendizagem, na concentração, na socialização, na percepção do mundo, enfim, em diversos segmentos. O brinquedo passa a ter, além da diversão, um objetivo a mais que é estimular o desenvolvimento intelectual, emocional e social.

Espaço escolar

Como o nome já diz, é uma brinquedoteca que funciona dentro de uma escola. Este tipo de brinquedoteca busca no brincar uma forma de construir a identidade e estimular a autonomia das crianças pequenas. Ao brincar, a criança vai se expressando, desenvolvendo a linguagem e trocando informações e experiências com outras crianças, e isso estimula também a aprendizagem. Em geral, esse tipo de brinquedoteca oferece diversos cantinhos, ou seja, o cantinho da leitura, o cantinho das colagens, o cantinho dos jogos, enfim, cada brinquedoteca desenvolve seus “cantinhos” de acordo com seu espaço disponível e com as crianças que se utilizarão dela.

Modelo hospitalar

Como já se percebe pelo nome, esse tipo de brinquedoteca, além do brincar, busca a interação. Também pode incentivar o emocional das crianças, suprindo carências que elas desenvolvem pela internação ou pelo próprio distúrbio que apresentam.

Desde 1971, quando a primeira brinquedoteca considerada hospitalar foi realizada pela APAE SP – Brasil, foram muitos anos de implantação até que, em 21 de março de 2005, pela Lei nº 11.104, tornou-se obrigatório que os hospitais com atendimento pediátrico em regime de internação ofereçam também brinquedotecas. Isso pode amenizar traumas, estimular o desenvolvimento físico e psicológico e auxiliar no tratamento motivo da internação.

Aprendizagem no brincar pode-se dizer que é uma forma intermediária entre a brinquedoteca lúdica e a hospitalar. A brinquedoteca aliada à aprendizagem traz uma série de exercícios, brincadeiras e brinquedos estimuladores da aprendizagem e da alfabetização.

Essa ideia nasceu em 1997, quando eu conheci a brinquedoteca do Instituto da Criança FMUSP e notei que seria possível adaptar o método hospitalar para a aprendizagem e alfabetização de disléxicos, disgráficos e outras crianças com dificuldades de aprendizagem.

Para haver inclusão

Essas duas formas de atuação em brinquedoteca fundem-se na medida em que as duas têm objetivo principal de estimular a aprendizagem. Porém, deve-se entender que a brinquedoteca aliada à aprendizagem se divide em estímulo na alfabetização de crianças consideradas com desenvolvimento normal e estímulo da aquisição da aprendizagem em crianças que apresentam dificuldades significativas de aprendizagem, como dislexia, disgrafia, entre outros distúrbios. Enquanto isso, a brinquedoteca inclusiva busca desenvolver as aptidões de crianças e adolescentes com deficiências físicas ou mentais.

Na brinquedoteca inclusiva, os estímulos vão além da aprendizagem, pois a busca é por desenvolver aptidões em crianças com deficiências físicas e/ou intelectuais. Dessa forma, os brinquedos, jogos e brincadeiras são mais voltados aos estímulos de cor, movimentos, percepções, exercícios de concentração, sons diversos e outros estímulos que podem melhorar os sintomas e características de diversos distúrbios, síndromes e transtornos como autismo, down, entre outros.

Também busca-se desenvolver com brinquedos, jogos e brincadeiras as habilidades físicas das pessoas com deficiência física, como andar, gesticular, se movimentar, entre outros.

Há uma grande diferença entre brinquedo e brincar e, dentro desse assunto, a brinquedoteca vem somar um terceiro item importantíssimo. Desde a montagem até o uso correto de cada brinquedo ou instrumento, tudo deve ser bem elaborado e definido para que se consigam os melhores e mais rápidos resultados.

É preciso também entender e saber desenvolver cada brincadeira de acordo com a faixa etária e a necessidade de cada criança ou grupo de crianças. E, no caso de se alfabetizar uma criança (ou grupo de crianças), há várias formas de adaptar a brincadeira, tornando o período de alfabetização prazeroso e produtivo.

Para isso, obviamente, é preciso um bom treinamento do profissional de saúde ou professor (ou mesmo pai que queira ajudar seu fi lho a se desenvolver satisfatoriamente) e, pensando nisso, há dez anos eu elaborei um curso online, “Brinquedoteca aliada à aprendizagem”, que ensina passo a passo a montagem de uma brinquedoteca, as diversas formas de utilizá-la, funções do brinquedo, do brincar e da brinquedoteca, como ensinar matemática ou alfabetizar com brinquedos, como desenvolver as diversas inteligências por intermédio dos brinquedos e diversos outros tópicos que contribuirão para o aprimoramento dos participantes, tornando-os aptos a comandar uma brinquedoteca e aliá-la à aprendizagem e detecção de problemas ou distúrbios de aprendizagem.