Discriminação Racial

Entenda porque a escola é fundamental para a reconstrução de verdades e valores a respeito do outro.

Por Simone da Silva Viana / Adaptação Web Rachel de Brito

Reconstruindo valores

Nas considerações de Paulo Freire, você, eu e um sem-número de educadores sabemos todos que a educação não é a chave das transformações do mundo, mas sabemos também que as mudanças do mundo são um quefazer educativo em si mesmas. Sabemos que a educação não pode tudo, mas pode alguma coisa. Sua força reside exatamente na sua fraqueza.

Cabe a nós pôr sua força a serviço de nossos sonhos (1991, p. 126). Faz-se necessário compreender a educação como transformação social, possibilitar aos nossos alunos de todas as etapas de ensino serem sujeitos construtores da própria história. A escola deve educar para a vida desde bem cedo, daí a importância de trabalhar na escola questões como a discriminação racial e a diversidade cultural, oportunizando aos alunos a quebra de paradigmas desde cedo, reconstruindo valores e verdades a respeito do outro, respeitando as diferenças sociais, culturais e raciais no seu cotidiano.

É imprescindível a escola atual trabalhar de maneira eficaz a matriz africana no seu currículo. Pois a história africana, com sua formação e delineamento da identidade cultural afro-brasileira, é de suma importância no cenário educacional, pois será interpretando e recriando as práticas de outras culturas que os alunos irão ter possibilidades de conhecer e assim respeitar o outro.

Herdeiros de uma escola que sempre privilegiou, em grande parte de sua trajetória, conteúdos eurocêntricos, vivemos hoje a urgência de rever conteúdos e temas formativos em nossos bancos escolares. Dessa maneira, conhecer e refletir sobre os costumes e tradições, as práticas e as representações culturais, a mitologia e a religião, a linguagem e as escritas, a resistência e as lutas, a memória e a história do povo africano; assim ensinar, aprender, refletir e debater sobre as “identidades” é um exercício fundamental para o combate à intolerância, à discriminação, à xenofobia, ao racismo.

Seguindo a proposta de trabalho com o tema da discriminação racial na escola, Simone da Silva Viana, pesquisadora e professora da Universidade Estácio de Sá, do Colégio Estadual Dr. Barros Barreto e Externato Campista, em Campos dos Goytacazes (RJ), desenvolve atividades multidisciplinares que unem leitura e contação de histórias para culminar em um fazer artístico livre e contextualizado em situações do cotidiano e em nossa herança étnica e cultural. Acompanhe, a seguir, o passo a passo confeccionado pela educadora:

Passo 1) Apresentar o livro Menina Bonita do Laço de Fita, de Ana Maria Machado, e suas ilustrações para os alunos. Fazer a leitura da história, de preferência utilizando fantoches.

Passo 2) Pedir aos alunos que façam a contação da história, utilizando os fantoches, deixando-os recriar a história de acordo com seu ponto de vista.

Passo 3) Atividade com os materiais indicados, oportunizando aos alunos utilizá-los em produções que expressem a história contada, os personagens, cenários etc.

Passo 4) Pedir aos alunos que descrevam as principais características da personagem principal da história, através da elaboração de um texto e, logo em seguida, a ilustração deste.

Pronto! Já pode propor e organizar uma exposição na sala de aula ou no pátio da escola dos materiais confeccionados pelos alunos.